20 agosto 2009

Falaste-me num estado de alma


Falas-te em solidão.
Uma conversa vulgar, um momento sem enquadramento,
Sem pretensões em que se fala de nós mesmos,
Sem querer saber se os ouvintes estão interessados no diálogo.

- Sinto-me inútil, subestimada….sinto-me só!

O desabafo atingiu-me como um flash agressivo.
Não podias ver a minha expressão, fixei o vazio sem qualquer pensamento!

- Sinto-me só…
O som repetia-se em mim…pouco te disse.
Podia ter falado que esse sentimento está em mim,
Gritante como o grito das gaivotas ao planarem sobre o mar…

Lá sabes como engulo a vontade de começar qualquer discussão sem sentido,
Dizer que sou subestimada, incompreendida.
Gritar como são hipócritas as afirmações racionais dos outros,
Desmascarar os semblantes compostos de fazer de conta…

Patético este anfiteatro da vida!

Sinto-me só, o ser mais solitário do mundo…mas não sou!
Só me sinto só..

Imploro ás forças que se encarregam de gerir estes sentimentos,
Que não prolonguem indefinidamente o buraco negro do desalento.

E que venha uma taça de gelado!

(Para ti rosita)
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17 agosto 2009

Pelicula

Quantas vezes já acontecera,
Não sabia explicar!
Não, não era a primeira vez!
Aquela imagem difusa,Como a película de um filme antigo…

Inesperadamente a reminiscência de uma estrada traiçoeira…
Aquela arrepiante curva seguida de uma paisagem selvagem e bela,
Diferente de tudo, linda, perturbadora!

Ali, nada era igual!
Deixava-se encantar pela melodia que pairava no vento…
Como o som da flauta do encantador…

Em silêncio, como uma estranha fugida há muito,
Confundia-se com a paisagem de forma, inequivocamente, despercebida.
A única pessoa existente no Cosmos, indiferente a tudo!
Indiferença…Uma frieza que parecia enfeitiça-la … Seguia a melodia..

Como uma estranha fugida há muito, voltava!

Ficava sentada, submissa, em silêncio,
Esquecida como uma velha tela inacabada, guardada a um canto durante anos…

- Que estaria a fazer naquela velha tela?

Como uma estranha, só um rosto, um vulto indistinto…

04 julho 2009

Mãe....

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A dor silenciosa, o mutismo gélido da morte,
Os olhos mortiços gritavam a dor física inconfessada..

As palavras trancaram-se, pedaços de silêncio num olhar perdido,
O sorriso, onde está o teu sorriso? Aquele que nunca se apagava…
Não, nem o sorriso levaste no rosto…
Não, a morte roubou-te esse dom… mostrava só dor… física… e a da alma.

A da Alma… era evidente no teu rosto sem cor, nos olhos entreabertos sem vida..
Carregavas tanta tristeza, tanta desilusão, tanto abandono…

Esse teu modo, aparentemente, frágil de fazer de conta que não sentias … o teu olhar fixo… como a dizer: - “Sei tudo o que sentes…”

Tento abstrair-me, deixar longe tudo o que me traga ecos, reminiscências, tento guardar apenas o teu sorriso… Mas o teu olhar triste não me deixa.

Aquela sensação de impotência apodera-se do meu espirito e as sombras negras da tua agonia revoltam-me…
Queria sentir o silêncio da tua dor, a paz da tua presença, o teu olhar calmo…

Que me sorrisses aí desse lugar…
Saber que aí, tens o que te negaram…

02 julho 2009

Lembranças...

Fantasia


Se disseres que me amas, acreditarei em cada palavra por vaga que seja, limitarei os meus sinais de alerta apenas ao teu rosto, nem o teu olhar perscrutarei, as sombras que por eles possam passar não as vou ver, simplesmente porque não quero ...
Mas se as interrogo, espero que a resposta seja aquela que quero ouvir.... Poderei não sorrir... mas fica o eco... “pode ser” se não for ...
E fico à espera, iludindo os dias com palavras e risos... tão verdadeiros como as sombras que não quiseram ver!
Não vou procurar motivos porque me dei, nem tentar encontrar razões porque te quis,
Tão simplesmente caminhar sem recordações, ficar vazia e construir a ilusão de vida.

Morrer amanhã ou não, nada me diz, serei o entardecer de cada dia!

01 julho 2009

Sem rumo...

Fantasia
Ao longo do eterno caminho da morte,
Visões estranhas, medos absurdos...
Sem tempo, sem rumo...
Estou... vou... e não sei se chego ou fico... cumpro o destino...Sem luz ou sombra, sem rumo, abstracto...
Um lugar vazio de tudo.
Será a morte? Ou a visão do meu mundo?
Aqui estou! Ainda viva, sem luz, sem sombra, sem rumo......



25 junho 2009

Não me ensinaram..


Não me ensinaram a viver sem luz,
Disseram-me sempre que o amanhã é esperança,
Que há sempre uma porta que se abre

Ninguém me ensinou a não sorrir
Disseram-me que o sorriso é um sinal de vida
Que ilumina o semblante mais sombrio,
Que descerra a porta mais trancada

Não me avisaram que a solidão dói, apenas que passava ..
Não me disseram que ficava um vazio incontornável

Disseram apenas que passava...

Não ...

Pode atenuar ou acalmar ..
Como as memórias fechadas a sete chaves, num baú, para não serem sentidas, lembradas...mas ...
Quando se abre ... voltam todas as sensações que se quiseram trancar ...

Não me ensinaram que a vida é um monte de sonhos que não se vivem...
Não me disseram que a alma sente mais que o cérebro... e que chora ..

Afinal ninguém me ensinou a viver ....

12 junho 2009

Asfixia!

Tenho pressa em voltar a adormecer, só assim páro de me torturar,
De aguardar um brilho de presença...

Obrigo-me a admitir que minto a mim mesma..
Interrogo-me se através dos meus olhos vejo o mesmo que tu vês!

Encaro o meu próprio reflexo,
O rosto não esconde a noite mal dormida.
Recuso-me a ser reduzida ao silêncio do esquecimento.

Não consigo aperceber-me da dimensão do silêncio,
Só sinto o seu peso, a minha respiração não se altera,
Não sai um suspiro ou um respirar fundo... não consigo!
Permanece uma sensação de asfixia.

A minha mão fica fria...

Durante o dia ausculto a minha mente
.... o que permanece?..



Devo ficar em silêncio para sempre, aceitar o que é real...
Viver a vida sem sonho?

- Mas não sei se consigo!

Enrosco-me como uma bola, abraçando-me a mim mesma... e assim fico

Acerca de mim

A minha foto
Portugal
Um mundo de esperança..